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Halllujah

22/ 01 / 12

Inicialmente devo ressaltar que ando com problemas para escrita. São decorrentes de uma falta de concentração e também da dificuldade em fazer com que meus dedos mexam-se na mesma velocidade de sempre, errando com frequência e deixando-me bastante descontente em fazer isso repetidas vezes.

 

Por outro lado, a vontade que tenho em escrever é muito maior do que as dificuldades momentâneas. Sempre gostei de escrever, é minha válvula de escape.

 

Retornando, certa vez, estava conversando com um rapaz muito inteligente e muito simpático. Ele é um rapaz que fazia parte dos meus planos: atuava com ONGs, gostava de boa música, tinha assuntos dos mais diversos, só que tinha um grande problema, do qual, me assusta nos homens, reclamava demais de ex-namoradas.

 

Reclamar de ex-namorada é natural. Esse processo de passagem é natural para qualquer pessoa comum, precisa-se expulsar de alguma forma aqueles pensamentos que povoam a cabeça da gente:

 

“Ele(a) nunca me entende”.

 

O interessante é pensarmos se a nós mesmo somos incompreendidos, incompletos e infelizes, por vezes, qual é a criatura que vai ser perfeita e entender esse complexo e emaranhado de pensamentos que possuímos?

 

Sinceramente, só mesmo as otimistas de plantão solteiras aos 55 anos para acreditarem nisso.

 

Eu na minha jornada de 34 anos vejo que não tem solução. Cada qual escolhe aquele que dá menos trabalho. É menos trabalhoso ter um homem sujão mas que traz flores ao final do dia? Sim, fique com ele. Vale mais a pena aquele que vive limpinho mas quando entra no carro parece que veio do ferro velho? Sim, fique com ele.

 

Eu optei por não ficar com alguém. Esse alguém optou por não ficar comigo. Ambos estamos aí, solteiros e disponíveis para quem quiser. O difícil: superar o que vivemos. Foi muito intenso, muito verdadeiro, ainda que ele diga que tenha sido apenas do lado dele. Eu não acredito nisso, se fosse para jogar pesado, faria o jogo do “to cagando” e não estou.

 

Tem horas que me preocupo o que fazer com cobertas, calcinhas, xícaras e unguentos que estão em casa e que me são úteis. Recebi dele e estou a usar. E ele? O que eu dei a ele que ele possa se lembrar de mim? Um porta fotos? Albunzinho? CD? Vixe, que vergonha, só dei o que eu sei: encheção de saco.

 

E respeito a encheção de saco dele, eu grudo.

 

Sou uma pessoa grudenta com gente inteligente. Dá vontade de ingressar pelas entrenhas e tentar pesquisar o que ela tem e como faço para ter um pouco também. Pena que isso não existe na matéria. Em espírito? Quiçá.

 

Fiquei doida pensando nessa hipótese.

 

Estávamos tão sintonizados. Sabíamos dos gostos, dos cheiros, dos sabores e, de repente, tudo se perdeu. Do nada, parecíamos dois desconhecidos, dois passageiros em trens com destinos diferentes. Eu, na minha loucura, ele, na sua concretização de sonhos. 

 

Eu sonhei tanto com o crime de casar-me, ter filhos, ser uma família, mas, escolhi a hora errada para reivindicar um direito que qualquer ser humano tem: sonhar. Sonhei com a pessoa errada ou com o tempo errado. Mas, eu não acho que errei com a pessoa de jeito nenhum. Bato a cabeça na parede se for mentira isso que estou dizendo. Dói menos a porrada na parede do que ter que assumir algo que eu não acredito ser verdadeiro.

 

Considerei amar outra pessoa. Sou mulher suficiente para amar outra pessoa.

 

“Vale a pena?”

 

Questiono-me.

 

Não paro de me questionar.

Imagem

A resposta é sempre “Não“.

 

“Eu te amo, Rico, do jeito que você é.

 
Uma pessoa que hoje está meigo e simpático. No outro, de pé esquerdo, ranzinza com todo mundo e mais alguém, mas, me pega no colo e me deixa em paz no meio daquele sovaco cheiroso.
 
Tem aquele suor gostoso que dá vontade de sentir na língua, lamber o sal do corpo.
 
Sem dúvida, não é jogo, não abriria mão de você por ninguém, nem pela minha mãe.
 
Hoje, qual seja a pessoa que mais atrapalhou qualquer plano, seja ela, amigos ou família e, tenho mais a perder em não tê-lo por perto, já que uma família se uniu numa doença, não vai me desonrar numa escolha dessas, se for também, paciência.
 
‘Coragem e fé’.
 
Porém, ainda assim, assumiria o risco de qualquer modo, compraria chip, colocaria unhas postiças, malharia e ficaria uma gostosa, só pra você – unicamente – só pra você me comer.
 
Faria os filmes pornôs caseiros que eu estreava com aquele homem que eu aceitei como o homem que eu queria viver do meu lado, como uma verdadeira guerreira.
 
Só sei que alguém que é leve quando quer, pesado quando dá na telha, alguém que para mim é indestrutível, alguém que vê além do que muitos vêem e ainda assim é incompreendido, perseguido,  chateado consigo mesmo, chateado com quem não percebe o que ele está querendo dizer, ainda tem alguém que quer tê-lo ao lado.
 
Alguém que conta uma história, depois detalha um pouco mais, depois fica um rosário e eu, do lado, ouvindo e tentando achar um jeito de não me ferir mais do que aquela pequena introdução que poderia fazer com que qualquer amor pudesse cair em terra.
 
Aquele homem, Rico, que você é: capaz de passar uma madrugada conversando sobre tudo e nada e sair rindo do nada ou chorando por tudo…
 
Não sei quem você é…
Só sei o que eu vi…
E o que eu vi foi tão magnético, como um imã, dois estranhos que se encontraram nesse aquário doido como na música do Pink Floyd.
 
Duas pessoas abertas a tudo: swing com boquete escondido, mas, sem espetáculo para o mundo…
 
Sei lá, cada qual se ajudando… se cuidando, se amando”.
 
E “Hallelujah” por ter a alegria por ter conseguido escrever o que eu estou sentindo. Tem horas que me falta até alegria para tanto e, cá entre nós, não pode faltar alegria para esses pequenos deleites, afinal, do que a vida é feita?
 
Viver em estado de alegria é estar plenamente sintonizado com nossa paternidade divina, através das mensagens silenciosas e sábias que a vida nos endereça.
 
 

 

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